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Escola De Educação Infantil Vovó Esther
Rua Três Pedras, 288 Vila Alpina São Paulo
Telefone: 2917-1547
e-mail: escolavovoesther@hotmail.com

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sexta-feira, 16 de março de 2012

A ESCOLA



"Escola é...
o lugar onde se faz amigos
programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente,
Gente que trabalha, que estuda,
Que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
O coordenador é gente, o professor é gente,
O aluno é gente.
E a escola será cada vez melhor
Na medida em que cada um
Sem comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de ilha cercada de gente por todos os lados.
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
Que não tem amizade a ninguém
Nada de ser como o tijolo que forma a parede,
Indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade,
é criar ambiente de camaradagem.
è conviver, é se amarrar nela!
Ora, é lógico...
Numa escola assim é fácil
estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se,
ser feliz!"

Paulo Freire

EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA DE LIBERDADE por Paulo Freire

O pensamento do educador. Ideias extraídas de seus livros A Prática da educação.

     A melhor forma de ensinar é defender com seriedade, apaixonadamente, uma e/uma posição, estimulando e respeitando, ao mesmo tempo, o direito ao discruso contrário. Estará ensinando, assim, o dever de brigar por nossas idéias e, ao mesmo tempo, o respeito mútuo.
     Numa visão progressista, o treinamento puramente técnico não é suficiente. O trabalhador tem o direito de saber a razão de ser do procedimento técnico, de refletir sobre as implicações da tecnologia, seus avanços e riscos - não um simples ato de acionar válvulas.
     É fundamental para nós, profissionais de várias especialidades, ter uma posição crítica, vigilante, indagadora, em face da tecnologia. O objetivo a atingir é a possiblidade de se exercer o controle sobre tecnologia e pô-la a serviço dos seres humanos.
     Todos os profissionais tem o direito de saber como funciona sua sociedade, de conhecer seus direitos e deveres, de conhecer sua história e o papel dos movimentos populares. Todos nós profissionais temos que ter uma compreensão de nós mesmos enquanto seres políticos, sociais, culturais.
     Uma visão ingênua da prática educativa e vê-la como prática neutra, a serviço de ideias abstratas. A impossibilidade de ser neutro ou apolítico é que exige do educador uma ética: o que me move a ser ético é saber que a educação é política. Respeitar os educandos e não mentir para eles dizendo que estudar não tem nada a ver com o que se passa no mundo lá fora.
     Mas essa intervenção do educador deve ser não a propaganda ideológica mas sim o trabalho através do qual as pessoas vão assumindo como sujeitos curiosos, indagadores, como sujeitos em processo permanente de busca, de descoberta da razão de ser das coisas.
     Ensinar não é uma simples transferência de "conteúdo" ao aluno passivo. É considerar - e não subestimar - os saberes de experiências, o saber de senso comum, o saber popular. Partir sim desse saber - o que não significa "ficar nele" é um direito de todos: descobrir a razão de ser das coisas não deve ser privilégio das elites.
     É necessário entender como os grupos de trabalhadores fazem sua leitura do mundo, entender sua "cultura de resistência", entender o sentido de suas festas, ver a riqueza de sua fala e de seus símbolos.
     Compreender o movimento contraditório entre rebeldia e acomodação. Outra responsabilidade nossa é a coerência entre o pensar e o falar, entre o falar e o fazer. Mas a coerência não é imobilizante; posso mudar de posição no processo agir/pensar. Minha coerência necessária, se faz então com novos parâmetros. Sonhar faz parte da natureza humana - um sonho possível, uma utopia. Denunciar um presente cada vez mais intolerável, colocar um futuro a ser construído por nós. Mudar a linguagem faz parte do processo de mudar o mundo: não é preciso esperar que o mundo mude para se mudar a linguagem. A incontinência verbal, o palavreado irresponsável são um equívoco, não tem nada a ver com uma compreensão correta da luta. Suas consequências apenas retardam as mudanças necessárias.
     O processo de educação não se completa na etapa de desvelamento de uma realidade, mas só com a prática da transformação dessa realidade. Essas duas práticas - conhecimento e transformação - formam uma unidade dialética.

Por Paulo Freire